A VIDA QUE NINGUÉM VÊ

15/10/2013 11:24

            Colaboração/texto da jornalista POLIANA FIGUEIREDO

           

             Horários a cumprir, trabalhos pra entregar, tarefas para fazer, prazos que não podem esperar.  A rotina na maioria das profissões, hoje em dia, costuma ser pesada e o tempo é um artigo cada vez mais escasso.

            Se a vida moderna acelerou o cotidiano dos profissionais de modo geral, o que dizer então do universo do jornalismo, que historicamente sempre foi uma das profissões mais “estressantes”, afinal a notícia não pode esperar, ainda mais em tempos de internet...

             Porém ao ler “A vida que ninguém vê” da premiada jornalista gaúcha Eliane Brum, descobri que o jornalismo pode ir muito mais além da busca por se cumprir um deadline.  A obra consiste na reunião de crônicas-reportagens publicadas aos sábados no Jornal Zero de Porto Alegre em 1999, na coluna que levava o mesmo nome do livro.

            Eliane nos faz viajar por universos de pessoas comuns, as mais humildes possíveis, que passam despercebidas ao nosso olhar em meio às grandes cidades. Histórias de cidadãos como o senhor Adail que trabalhou mais de 35 anos no aeroporto Internacional de Porto Alegre, carregando as malas de passageiros com os mais variados destinos, sem nunca ter cruzado o céu do Rio Grande...

            São várias sensações que sentimos ao ler “A vida que ninguém vê”, além de emoção, sentimos indignação, tristeza, alegria, esperança e também identificação, afinal, os personagens são reais e a qualquer esquina tendo um olhar mais atento, podemos nos deparar com um deles.

            E é exatamente sobre esse olhar mais atento que gostaria de falar agora. Eliane Brum é uma jornalista com uma sensibilidade rara, daquelas que tem um olhar aguçado para enxergar a poesia que existe na rotina. A sua busca é exatamente sobre o contrário do que prega o jornalismo tradicional, como ela mesmo diz usando um dos clichês mais clássicos da profissão: “Eu sempre me interessei mais pelo cachorro que morde o homem do que pelo homem que morde o cachorro – embora ache que essa seria uma história e tanto”.

            O resultado é um trabalho profundo e original, que faz com que nosso olhar mude se tornando mais atento também, afinal há muita vida  que passa despercebida que precisa ser vista.

 

            LIVRO: A VIDA QUE NINGUÉM VÊ

            AUTORA: ELIANA BRUM

            EDITORA: ARQUIPÉLAGO

Poliana Figueiredo é jornalista e colabora com o Caderno de Educação