IMPROTTA EM EXCESSO

José Wilker nunca gostou muito dos personagens que fez. E nem escondeu isso. Sempre procurou não carrega-los consigo ao longo da carreira. Quando o jornalista faz uma pergunta sobre o Rodrigo de “Final Feliz”, ou o Roque de “Roque Santeiro”, o Zeca Diabo de “O Bem Amado” ou mesmo Tenório Cavalcante, etc, etc, etc... ele desconversa. Até parece que fica irritado.
Giovanni Improtta, de “Senhora do Destino” (Rede Globo – 2004) o conquistou. Tanto que ele escolheu o tipo para a sua estreia como diretor no cinema. Comprou até seus direitos autorais. O personagem é baseado no romance “O Homem que Comprou o Rio” (1972), de Aguinaldo Silva.
Não é uma estreia digna da capacidade, do talento e do conhecimento de José Wilker. Há excessos demais nesse Improtta da telona. Muitos trejeitos, um tipo meio forçado, às vezes nada natural.
O humor mesmo, aquele que a gente gosta e tira o nosso sorriso naturalmente, pouco está presente no filme, que pretende ser uma comédia.
Wilker escolheu Cacá Diegues para produzir “Giovanni Improtta”, que está em cartaz a partir desta sexta-feira nos cinemas.
A história se passa antes de “Senhora do Destino” e só tem o ator André Mattos que foi contemporâneo de Wilker naquela trama.
O ator/diretor afirma que escolheu o tipo porque seria uma síntese de personagens seus. Ele cita a picardia do Lorde Cigano de “Bye Bye Brasil”, o populismo de Tenório Cavalcanti, o Roque de “Roque Santeiro” e o coronel Belarmino de “Renascer”.
Não tem não, mas teria capacidade para boas tiradas e um humor aceitável, caso não cometesse excessos que atrapalham o filme e não estiveram presentes na novela. Mesmo assim o filme tem o seu valor e o nosso respeito. É cinema nacional, cultura brasileira e a estreia de um dos maiores atores e cinéfilos do nosso país na direção de um filme.
Abaixo dois vídeos para você sentir o clima de “Giovanni Improtta”.