LÍNGUA

05/12/2013 10:36

            Em seu sentido primário é o nome do órgão mais importante do aparelho fonador. Daí a metonímia e fixação do outro sentido paralelo para designar o sistema de sons vocais por que se processa numa comunidade humana o uso da linguagem.

                    Como sistema de linguagem, a língua compreende uma organização de sons vocais específicos, ou fonemas, com que se constroem as formas linguísticas, e uma língua se distingue de outra pelo sistema de fonemas e pelo sistema de formas bem como pelos padrões frasais, em que essas formas se ordenam na comunicação linguística ou frase. Da estrutura específica de cada língua resulta a falta de inteligibilidade entre homens de línguas diversas, quando cada qual não aprendeu previamente o sistema de linguagem de cada um dos outros. A INTELIGIBILIDADE não é, entretanto, a condição essencial para se considerar que os interlocutores falam a mesma língua, porque é consequência, em parte, do grau de inteligência dos interlocutores, valendo-se:

 

a)    – de o ASSUNTO ser até certo ponto conhecido,

b)    – de certas coincidências de detalhe, dentro de sistemas diversos, o que pode permitir uma dedução mais ou menos satisfatória do que é dito. Por outro lado, por faltar ou ficar prejudicada a inteligibilidade entre interlocutores da mesma língua por deficiência do discurso. O que se define uma língua, em face das demais, é a sua estrutura, que estabelece oposições específicas de fonemas e formas. De acordo com a estrutura, se tem uma nova língua a partir de um momento da evolução, de uma língua dada (ex. o português em face do latim) ou se distinguem num território continuo duas ou mais línguas que são evolução de uma única língua (ex.: na península ibérica, a língua portuguesa, em face da língua castelhana, ou espanhola, e da língua catalã, todas provenientes do latim).

 

                   Há, entretanto, uma hierarquia nas oposições linguísticas e são as fundamentais, ou primárias, que definem essencialmente uma língua em face das demais línguas. As oposições superficiais, ou secundárias, criam dentro de uma língua as divisões falares, que por sua vez são agrupáveis em dialetos. Daí, o conceito de língua regional, ou falar, e língua comum, que abrange todos os falares da base de um sistema de oposições linguísticas fundamentais.

 

 

                    Na língua comum, ou língua nacional, isto é, comum a toda uma nação, tende a constituir-se a partir de certo estágio da civilização, uma modalidade de seu uso, dita língua culta, que seve para as comunicações mais elaboradas da vida social e para as atividades superiores do espírito. Superpõe-se à língua cotidiana, e dela se distingue principalmente – a) pela maior nitidez e constância da fonação, b) pela maior coerência e fixidez nas formas gramaticais, c) pela maior riqueza e sutileza do léxico.

 

                     É na base da língua culta que se constitui a língua escrita, cuja mais alta expressão é a modalidade empregada na literatura, e chamada de Língua Literária. A língua cotidiana, por sua vez, apresenta gradações, que vão até à língua popular, caracterizada pelo vulgarismo e até a gíria.

 

                   A Língua nacional nem sempre corresponde ao conceito estrito de nação, como Estado politicamente constituído e soberano. Num desses Estados pode vigorar mais de uma língua nacional (ex.: na Suíça), e uma língua comum pode vigorar em mais de um Estado (ex.: Portugal e no Brasil.).

 

                      José Carlos Bortoloti é professor, jornalista, escritor, assina o blog E Pensar Não Dói e escreve às quintas-feiras no "Diálogos do Caderno"

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