NATAL: ANTES “NOITE FELIZ”, HOJE: “NOITE INFELIZ DO BARULHO SEM LIMITES”

21/12/2014 18:44

NATAL: ANTES “NOITE FELIZ”, HOJE: “NOITE INFELIZ DO BARULHO SEM LIMITES”

 

 

   Som em volume absurdo é uma insanidade grupal que só avança no país, reflexo de anos de uma educação ruim, desde a oferecida pelo poder público, a oferecida em casa pela família. Nem precisa de muito estudo basta pensar um pouco: “vou ligar o som no último volume, mas será que os vizinhos irão se incomodar?”. Infelizmente esse raciocínio não passa na mente nem de 1% das pessoas que compram aparelhos de som potente, pelo contrário para tais elementos som é sinal de status e não importa a existência do outro, o importante é ligar o som no último volume, pois acham importante que a vizinhança saiba que possuem um trio elétrico particular.

   Muita gente tem a ideia louca que som em volume altíssimo 'pode' aos finais de semana e em datas comemorativas, só que não pode nunca, basta pensar que seu direito termina onde começa o do outro e por mais que as pessoas não aceitem, o outro tem direito ao sossego, tal como está escrito no artigo 42 da Lei das Contravenções Penais.

   No passado, não muito distante as pessoas se reuniam no Natal para comemorar, ainda que rolasse basicamente falsidade nessas festas, pelo menos os participantes não perturbavam a vizinhança. Hoje em dia não: as pessoas se reúnem pra ficarem em volta da mala de um carro levantada, com som ligado em volume absurdamente alto, como se estivessem sozinhas no meio do deserto. Que o Natal perdeu sua essência, isso faz muito tempo, hoje em dia a data é usada para cultuar a mala levantada com som ligado em volume absurdo e os adeptos da insanidade ainda estufam o peito pra dizer: “tem som quem pode”.

   Não importa a data, o 'rito' dos incivilizados de plantão é o mesmo: reúnem-se levantam a mala do carro e ligam o som em volume absurdo, afinal precisam compartilhar seu gosto musical e mostrar que possuem um aparelho de som potente. Para quem tem a infelicidade de morar perto de elementos assim, o Natal não é uma “noite feliz” e sim uma “noite infeliz”, “Noite infeliz do Barulho Sem Limites”.