O TEMPO E O VENTO

A trilogia “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo, é uma das mais fortes, densas e emocionantes da literatura brasileira. Tem de tudo. História, aventura, descobrimento, rompimento, união, ódio, amor, paixão, sonhos.
Composta por “O Continente”, “O Retrato” e “O Arquipélago”, a trilogia já foi levada ao teatro e TV, com grande sucesso, tendo Tarcísio Meira vivendo o Capitão Rodrigo Cambará, na Rede Globo.
Neste final de semana, a história apaixonante das famílias Amaral e Terra-Gambará, considerada a “obra definitiva” sobre a formação do estado do Rio Grande do Sul, chega aos cinemas com grande expectativa.
A direção é de Jayme Monjardim, que acostumado às novelas, deixa o filme enveredar, em algumas passagens, pelo formato de teledramaturgia. Mas não se preocupe, não prejudica em nada a obra cinematográfica, rica em imagens, excelente figurino e locações escolhidas com muito gosto.
Thiago Lacerda vive o Capitão Rodrigo e, por favor, se você já viu o personagem interpretado por Tarcísio Meira, esqueça. Não tem nada a ver, apesar do esforço de Lacerda. Esqueça porque a obra é mais forte. A história é muito mais importante e o seu conteúdo cultura é imenso.
Quer uma grande interpretação? A Bibiana Terra vivida pela extraordinária Fernanda Montenegro. Ela interpreta Bibiana nas suas últimas 24 horas, quando, no leito de morte, se reencontra com o seu falecido marido, Capitão Rodrigo. As lembranças começam a fluir. Eles vão relembrar os fatos marcantes de suas vidas, o encontro, a guerra, as discussões e tudo que cercaram suas histórias. O encontro entre os dois é um dos momentos mais emocionantes do longa-metragem.
A jovem Bibiana é interpretada por Marjorie Estiano, que também deixa a desejar, assim como Cléo Pires, que desperdiçou a chance de mostrar seu talento com uma personagem de personalidade extremamente forte como Ana Terra.
O orçamento do filme é de R$ 13 milhões, o maior do ano no país.
Tomara que cumpra uma missão importante: levar mais pessoas a ler a obra de Érico Veríssimo, impossível de ser exposta em cerca de duas horas no cinema.
Mesmo assim, “O Tempo e o Vento” é ponto positivo para o cinema brasileiro, pois leva a nossa cultura e parte da história da nossa formação federativa.
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