PAI BRAVO

Estava demorando para o papi entrar em ação.
Depois da formatura e do beijo cinematográfico do Rodrigo (estou morrendo de saudades), meu pai ficou meio anestesiado. Ontem eu jurava que ele não tinha ligado ou eu entendi errado e ele não tinha visto.
Entendi certo. Pior que foi...
_ Liah, vem aqui.
Já entendi que o tom estava bravo. Pensei: “tá feia a coisa...”.
_ O que significa aquela pouca vergonha no meio do salão?
_ Você está falando sobre... (queria ganhar tempo, enrolando...)
_ Sobre um tarado que agarrou você depois da valsa.
_ Ah pai, o Rodrigo... Foi um beijo. A gente está namorando.
Ele chamou a minha mãe imediatamente. Veio a minha avó junto. Graças a Deus.
_ Essa menina está namorando?
_ Calma. Vamos conversar direito.
_ Ela está namorando? Uma criança. E onde você aprendeu a beijar daquele jeito, dona Liah?
_ Ah, pai, aprendi beijando.
_ Como? Você anda distribuindo beijos por aí, Liah?
_ Pai, para com isso. Hoje é comum nas festas de aniversário, nas baladinhas, as meninas ficarem. Não tem nada de compromisso.
_ Você anda saidinha, Liah. Quer dizer que você tinha que ficar no meio do salão da formatura?
_ Não, pai. Com o Rodrigo é diferente. A gente está namorando.
_ Namorando? Com 14 anos? Você é uma criança.
_ Pai, um namorinho apenas.
_ Quer dizer que a minha filha anda de namorinho?
Pode uma conversa dessa? Como explicar? O que eu faço?
E lá se foi o domingo nesse blá, blá, blá.
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